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1 de abr. de 2008

Profeta Gentileza

por Leonardo Boff – Teólogo



Seguramente muitos do Rio se lembram daquela figura singular de cabelos longos, barbas brancas, vestindo uma bata alvíssima com apliques cheios de mensagens, um estandarte na mão com muitos dizeres em vermelho, que a partir dos inícios de 1970 até a sua morte em 1996 percorria toda a cidade, viajava nas barcas Rio-Niterói, entrava nos trens e ônibus para fazer a sua pregação.

A partir de 1980 encheu as 55 pilastras do viaduto do Caju, perto da Rodoviária, com inscrições em verde-amarelo propondo sua crítica do mundo e sua alternativa ao mal-estar de nossa civilização.

Não era louco como parecia, mas um profeta da têmpera dos profetas bíblicos, como Amós ou Oséias.

Como todo profeta, sentiu também ele um chamamento divino que veio através de um acontecimento de grande densidade trágica: o incêndio do circo norte-americano em Niterói, no dia 17 de dezembro de 1961, no qual foram calcinadas cerca de 400 pessoas. Era um empresário de transporte de cargas em Guadalupe e sentiu-se chamado para ser o consolador das famílias dessas vítimas. Deixou tudo para trás, tomou um de seus caminhões e colocou sobre ele duas pipas de 100 litros de vinho e, lá junto às barcas, em Niterói, distribuía-o em pequenos copos de plástico, dizendo: ''Quem quiser tomar vinho, não precisa pagar nada, é só pedir por gentileza, é só dizer agradecido''.

De José da Trino, esse era seu nome, começou a se chamar José Agradecido ou Profeta Gentileza. Interpretou a queima do circo como um metáfora da queima do mundo assim como está organizado, como um circo, pelo ''capeta-capital, que vende tudo, destrói tudo, destruindo a própria humanidade''. Segundo ele, devemos construir outro mundo a partir da gentileza, o que ele fez em miniatura, transformando o local num belíssimo jardim, chamado ''Paraíso Gentileza''. O quarto aplique de sua bata dizia: ''Gentileza é o remédio de todos os males, amor e liberdade''. E fundamentava assim: ''Deus-Pai é Gentileza que gera o Filho por Gentileza. Por isso, Gentileza gera Gentileza''. Ensinava com insistência: em lugar de ''muito obrigado'', devemos dizer ''agradecido'', e ao invés de ''por favor'', devemos usar ''por gentileza'', porque ninguém é obrigado a nada e devemos ser gentis uns para com os outros e relacionarmo-nos por amor e não por favor.

Não é exatamente disso que o Rio de Janeiro está precisando? Já dissemos nesta coluna que, junto com o princípio de geometria, a gentileza funda um princípio civilizatório, princípio descurado pela modernidade e hoje de extrema importância se quisermos humanizar as relações demasiadamente funcionais e marcadas pela violência.



A crítica da modernidade não é monopólio dos mestres do pensamento acadêmico, como Freud com seu O mal estar da civilização ou a Escola de Frankfurt, Horkheimer com seu O eclipse da razão e Habermas com o seu Conhecimento e interesse ou mesmo toda a produção filosófica do Heidegger tardio. O Profeta Gentileza, representante do pensamento popular e cordial, chegou à mesma conclusão que aqueles mestres. Mas foi mais certeiro que eles ao propor a alternativa: a gentileza como irradiação do cuidado e da ternura essencial. Esse paradigma tem mais chance de nos humanizar do que aquele que ardeu no circo de Niterói: o espírito de geometria, o saber como poder e o poder como dominação sobre os outros e a natureza.

Jornal do Brasil - Publicado em.: 07/05/2004

Cartas:

Profeta Gentileza

Gentileza e humanidade na prática. O Profeta deu o exemplo materializado.Leonardo Boff foi o primeiro a tirar o Gentileza do folclórico mundo da imprensa que tinha um certo prazer sádico de colocá-lo como: ''O louco-beleza'' da Avenida Brasil.Ou tinha sua ''loucura'' como os profetas, ou como o ''Jesus Cristo Libertador'' de Leonardo Boff, um marco, consolo e coragem. Belo texto. Tenho-o na cabeceira. Resgata o Gentileza.

No céu hoje ele está dizendo: ''Agradecido, Leonardo...''

João Carlos Moura, Rio de Janeiro (RJ)

21 de mar. de 2008

Páscoa: a festa da alegria

Páscoa: a festa da alegria

Maria Clara Lucchetti Bingemer

Desde o fundo da angústia da morte, desde o fundo da escuridão do sepulcro, explode o Aleluiah cantado pelo povo. Nos lábios, nos corações, nas gargantas, na assembléia reunida e no coro afinado: Aleluiah! Aquele que estava morto ressuscitou e está vivo. Não há que busca-lo entre os mortos, mas no caudal torrencial da vida que jorra abundante e plena, da alegria comunitária e da missão compartilhada.

Por isso é tempo de cantar: Aleluiah. Palavra transliterada do hebraico, que significa “Louvai o Senhor Deus”. A palavra Aleluiah, canto de louvor da tradição judaica, encontrada em muitos salmos de Israel, será apropriada pelos cristãos para dizer do júbilo do povo diante do poder infinito de seu Deus que faz acontecer a impossível vida arrancando-a das garras da morte.

A palavra Aleluia é uma combinação. Em sua primeira parte remete ao Hallel, oração típica judaica, composta de um conjunto de seis salmos cantados em ocasiões de grande alegria. Entre as ocasiões em que é cantado, o Hallel está a das preces noturnas da primeira noite da Páscoa judaica. E o motivo para a alegria é bem evidente: o povo de Deus, cativo e escravo em terra estrangeira, faz a travessia, o êxodo para a liberdade. A segunda parte da palavra, Yah ou Jah é uma forma abreviada representada pela primeira metade do tetragrama YHVH, o impronunciável nome de Deus que o israelita piedoso não pronuncia, mas que conheceu transliterações nas línguas latinas e neolatinas. E aí está o canto pascal de extrema alegria quando acontece a outra travessia, que o galileu de Nazaré realizou da morte em direção à vida: “Haleluyah! Aleluiah! Louvem, louvemos o Senhor!”

No final do quarto livro dos Salmos, Aleluiah aparece junto com Amém, palavra igualmente hebraica que significa a adesão a um mistério que estrutura a vida. O fiel, diante das maravilhas de Deus, responde de todo coração: “Amém”. Assim seja! Verdadeiramente! E assim expressa sua total adesão àquilo que crê sem ver e que passa a ver informado pela fé. A vida que vence a morte, o amor como último sentido da história.

Não é à toa que o livro do Apocalipse, ultimo da Bíblia cristã, diz na mensagem à igreja de Laodicéia, referindo-se a Jesus: “Eis o que diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira...” E os cristãos compreenderam desde o princípio que ao dizer Amém estavam sendo inspirados e movidos pelo próprio Espírito de Jesus que lhes permitia reconhecer entre os vivos aquele que viram morto. Jesus é o verdadeiro Amém do Pai à humanidade e ao mundo. A razão e os sentidos não permitem dizer Amém ou cantar Aleluiah. Apenas a fé tem o poder de transformar uma celebração que seria de luto na festa da alegria.

A Páscoa que celebramos é essa festa da alegria. Da alegria gratuita e sem motivo aparente. Pois os sentidos e a razão passeiam órfãos e desorientados entre um túmulo vazio, grávido de uma ausência e a memória ainda fresca dos tormentos de um condenado que expirou cheio de confiança em Deus. A fé, no entanto, vê o mistério que rompe o silencio e as trevas da morte e soa como clarim que convoca o dia. Ele está vivo. O mesmo que morreu está vivo no meio de nós.

E nós somos invitados a essa festa. Nós que sempre queremos ver para crer, agora somos convidados a crer sem ver. Ou melhor, a crer com um olhar novo e reencantado, pousado sobre as pessoas e os fatos. Um olhar que percebe a vida ali onde ela apenas se deixa vislumbrar. Um olhar que vê além da superfície e das aparências e reconhece por antecipação que o céu invade frequentemente a terra.

Hoje é Páscoa e o Crucificado ressuscitou. Esta é a formidável novidade, a incrível Boa Nova: Jesus está vivo, saído do túmulo, e se deixa perceber de maneira inesperada e gratuita pelos discípulos. E estes o reconhecem: no partir do pão, no pronunciar do nome, no gesto que instaura a paz, na pesca que faz transbordar de peixes o mar antes estéril e inclemente. Jesus que foi visto morto agora é o Vivente. Vivo em Deus e na história, ele nos faz viver desta vida nova que não termina e da qual nada nem ninguém podem retirar a fundamental alegria.

Por isso, há que dizer “Amém!”, uma e muitas vezes. É verdade, que assim seja! E por isso também e sobretudo , é preciso cantar “Aleluia”. Ele ressuscitou e nos diz que a última palavra de Deus sobre a criação e a vida humana não é a morte , mas a vida.

Feliz Páscoa!

* Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio, e Diretora Geral de Conteúdo do Amai-vos. É também autora de "A Argila e o espírito - ensaios sobre ética, mística e poética" (Ed. Garamond), entre outros livros.

20 de mar. de 2008

FELICIDADE REALISTA


A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.

Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas.

E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando.

Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo.

Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão.

Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista.

Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade.

Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.

Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção.

Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.

Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado.

E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável.

Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.

Olhe para o relógio: hora de acordar.

É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente.

A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio.

Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.

Se a meta está alta demais, reduza-a.

Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

Faça o que for necessário para ser feliz.

Mas não se esqueça de que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade.

Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração.

Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

(Mário Quintana)

1 de mar. de 2008

Fada caseira

Oie,


Hoje estou uma Fada caseira... gerenciando custos, limpando geladeira, lavando roupa. fazendo comidinha especial para a filhota!

Fada doméstica é magia de fim-de-semana e faz com que nós, místicas criaturas, sejamos apenas pessoas comuns o que nos impõe normalidade no convívio com os seres humanos e o mundo em si.
Nada mais prosaico e banal do que lidar com as tarefas do lar.

Já fui dar uma caminhada na chuva com o Blake, o Basset de Fada. Fiz o percurso rotineiro, para manter os padrões caninos satisfeitos.

A chuva mansinha não comprometeu a leveza diáfana de minhas asinhas, nem a simpatia dos passantes pela fada caminhante e seu fiel escudeiro urbano.

Na cozinha, selecionei micro-cebolas para compor um Boef au Bourguignone divinal e, para complementar, arroz brqnquinho e batatas sautè que fazem o acompanhamento mais simples e perfeito que conheço para este prato (para obterem estas receitas, cliquem na Listagem Gastronomia de Fada - nos sites de culinária no lado esquerdo do Blog).

Dei uma paradinha nas tarefas para relatar meus afazeres e enfatizar que hoje, 1º de Março, o Rio de Janeiro, que continua lindo, está completando 443 anos de fundação.

Cidade urbana, de florestas mágicas sejam de pedra ou de árvores, mas que acolhem seus habitantes de forma maternal.

Cidade Maravilhosa, cheia de idiossincrasias, mas que marca seus habitantes de forma permanente.

Onde quer que eu for, o Rio vai comigo!!


Bom dia a todos, tenham Gentileza nos menores atos e mantenham a Paz.

+F

6 de fev. de 2008

Carnaval de Fada 1

Oi, foliões...

Esta Fadinha curtiu o Carnaval de modo bem etéreo, brincando de forma saudável e responsável pelas ruas da Cidade Maravilhosa.

Tive que usar muito Pó de Prilimpimpim com desodorizante para perfumar as esquinas por onde os cordões passaram, mas fora isso, curti bastante.

Adivinhem a minha Fantasia???? Claro que fui de Fada, de asinhas lilases, arquinho de Princesa, varinha de condão cheia de cristais Swarovsky e sapatinhos de gladiadora, mas bordados com strasses . Um luxo em sintonia com as rainhas de Baterias das Escolas de Samba.

Os cabelos soltos, os olhos de céu cheios de esperança e transbordando alegria por onde andei.

No Rio, a Beija-Flor revoou e dominou a Marquês de Sapucaí com seu vôo majestoso e colorido e em Sampa, foi a Vai-Vai que veio e tomou conta.

Os Blocos reinaram e a espontaneidade carioca mostrou que veio para ficar.

5 de jan. de 2008

H...

Hoje, ao ler nas entrelinhas dos sentimentos expressos nas tortuosas páginas da lembrança, vislumbrei o que eu era...

Hoje, ao ver o efeito das posturas admitidas, confirmei o quanto mudei e como isso afetou aos meus circundantes.

Hoje, nesta manhã cálida e chuvosa que envolve a vida expectante que desejo, confirmei o quanto preciso estar plena e autêntica para viver com intensidade o que se avizinha.

Humana, estou prevendo o quanto será desafiador romper barreiras e cortar laços aparentemente indissolúveis.

Hesitante, refreio o ímpeto que me empurra para o amanhã e calculo os pormenores de cada atitude a ser tomada e isso transforma o fulgor em espera.

Habitualmente, fico projetando em nuvens róseas o amanhã que anseio, repleto de momentos felizes mas que envolvem muita abnegação e sublimação de desejos.

Há, nesta busca incessante pela felicidade, um desejo primitivo de que tudo seja perfeito, de que o amor eterno exista realmente e de que as decepções não nos atingirão, em tempo algum.

Habita, em mim, uma parcela mágica que acredita que tudo será maravilhoso, e que devemos apenas deixar espaço para o perfeito acontecer, que o sorriso da vida estará aberto para nós de forma graciosa.

Hoje, desejo somente estar envolta em braços firmes, protetores, num abraço apertado, selvagem, possessivo, terno, zeloso, voraz, libidinoso, protetor e ingênuo de quem me ama incondicionalmente.

Há, nos sonhos que povoam minhas noites, alguém místico, racional, temeroso, sincero, ardente, capaz, ingênuo, conflituoso, aflito, certeiro e carente que irá me elevar às alturas e que jogará para o alto as resoluções impositivas de toda uma vida regrada.

Humilde, agradecerei a benção recebida e compartilharei minha alegria nas descobertas comuns de que a vida é simples e singela quando nos entregamos sem medo ao que sentimos, cuidando a cada dia do outro, num empenho emocional recíproco. Você quer?

H...

20 de nov. de 2007

Tempo de Arrumar


Oi, Elfos! Oi, Duendes! Oi, Ninfas...

Esta Fada está muito organizadora hoje...


Tirou o feriado para arrumar, selecionar, rever, se emocionar, descobrir de novo pequenos tesouros e até mesmo jogar fora pequenos estorvos das gavetas da vida...


Papéis de bala, a coleção de maços de cigarros (garimpados na infância ingênua), artigos do Veríssimo que já estão no cyberespaço, mas que ficavam criando volume nos arquivos da Fada...

Tudo isso, mais aquela coleção de caixas de presente que um dia seriam reaproveitadas, mas que só serviam para ocupar espaço...


Colocando ordem nas partituras musicais, juntando livros, separando futuras doações para a Biblioteca Municipal pertinho da Floresta da Fada - ato saudável porque alivia meus arquivos e serve também para compartilhar meus saberes com os àvidos leitores que precisam das novidades que estão escondidas nas estantes mágicas e exclusivistas da Clareira Encantada da Fada.


Ou seja, é hora de partilhar meus tesouros!


Quero ressaltar que não existe mágica quando temos que abrir nossos baús da memória e eliminar alguns excessos arquivados.

Nada de
Varinha de Condão nem Pó de Prilimpimpim para fazer tudo se auto-organizar.

O grande segredo é vasculhar, encontrar miudezas há muito esquecidas mas que possuem grande valor sentimental... ler de novo, lembrar do que aquele pequenino bilhete nos fez sentir...

Resgatar personagens que trilharam nossos caminhos, sentir a presença dos que se foram e saudades daqueles que ainda nem encontramos, mas que estavam previstos nos poemas escritos durante as fantasias adolescentes ...

Quantas preciosidades, quantos sonhos escondidos em envelopes e caixas secretas!


Ah, entre um espirro e outro, vim dar meu relatório sobre os progressos arquivísticos...


Aproveitei para ver e-mails, checar as casas de outros amigos (os blogs especiais do baú da Fada), organizar umas pastinhas virtuais.


Assim que eu terminar, como autêntica Fada que sou, vou tomar um bom e revigorante banho nas Paineiras (cachoeira é tudo de bom!) para tirar o pó dos dedos e das asinhas translúcidas.


Encontro vocês na Maior Floresta Urbana do Mundo... a nossa Floresta da Tijuca.


Até lá!


Plim, Plim!

7 de nov. de 2007

Recados Vespertinos

Nesta tarde em que vejo as nuvens se derramarem sobre o Sumaré, com as antenas erguendo-se em meio a densa bruma, sinto que o brilho da noite já chega de mansinho em meio à névoa que transpassa a cadeia de montanhas da lembrança.

No recolher sutil dos sonhos, sinto que a pequenina chama ainda guarda um sopro de vida e no que se mantém tenuamente acesa, é pelo teimar em esperar...

Esperança esta que não abandona nunca o coração da Fada, mesmo em meio às tribulações diárias, de desejat ter seu dormir velado, seu corpo afagado, sua alma acalentada por braços vigorosos e carinhosos que ela há tanto espera...

A Fada continua, em meio ao musgo e à leve bruma vespertina, espraiando a Floresta da Vida, a espera ...

Vem, me toma e aí, então, serei!

11 de jan. de 2007

Fada Potiguar!

Olá,

Após 3 dias percorrendo o Brasil na Caravana Mágica rumo a Canoa Quebrada, chegamos sãos e salvos a Natal!

Passamos pelo Espírito Santo (7/1), pela Bahia (8/1), Sergipe (9/1), Alagoas, Pernambuco, Paraíba e finalmente chegamos ao Rio Grande do Norte, em Natal ontem a noite (10/1).

Po dia, fizemos em média 700km, gastamos cerca de 7 tanques de combustível, ficamos na casa de amigos em ila Velha, Aracaju e agora em Natal. Dormimos no Flecha Itabuna/BA de segunda para terça.

Ontem, fizemos o trecho final (de Recife até Natal) após o anoitecer, mas o techo é super bem sinalizado e viemos sem problemas.

Lancei muitos raios de pirlimpimpim pelas estradas e funcionou!

Nenhum acidente, nenhum pneu furado, nenhum motorista alucinado pela frente!

Ao contrário, motoristas conscientes, frentistas gentis, atendentes solícitos, caminhoneiros compassivos... tudo de bom nos aconteceu!

Vou postar umas fotos no próximo post.

Beijos e Beijos e muita magia para todos!

Plim, Plim!

3 de jan. de 2007

Mitologia Grega - Ártemis

Na Grécia, Ártemis (em gr. Άρτεμις) era uma deusa ligada inicialmente à vida selvagem e à caça. Durante os períodos Arcaico e Clássico, era considerada filha de Zeus e de Leto e irmã gêmea de Apolo; mais tarde, associou-se também à luz da lua e à magia. Em Roma, Diana tomava o lugar de Ártemis, frequentemente confundida com Selene ou Hécate, também deusas lunares.

Mito

O seu mito começa logo à nascença. Ao ficar grávida, a sua mãe incorreu na ira de Hera que a perseguiu a ponto de nenhum lugar, com receio da deusa rainha, a querer receber quando estava prestes a dar à luz. Quando finalmente na ilha de Delos a receberam, Ilítia, filha de Hera e deusa dos partos, estava retida com sua mãe no Olimpo. Leto esperava gémeos, e Ártemis, tendo sido a primeira a nascer, revelou os seus dotes de deusa dos nascimentos auxiliando no parto do seu irmão gêmeo, Apolo.

Deusa da caça e da serena luz, Ártemis é a mais pura e casta das deusas e, como tal, foi ao longo dos tempos uma fonte inesgotável da inspiração dos artistas. Zeus, seu pai, presenteou-a com arco e flechas de prata, além de uma lira do mesmo material (seu irmão Apolo ganhou os mesmos presentes, só que de ouro). Todos eram obra de Hefesto, o Deus do fogo e das forjas, que era um dos muitos filhos de Zeus, portanto também irmão de Ártemis. Zeus também deu-lhe uma corte de Ninfas, e fê-la rainha dos bosques. Como a luz prateada da lua, percorre todos os recantos dos prados, montes e vales, sendo representada como uma infatigável caçadora.

Tinha por costume banhar-se nas águas das fontes cristalinas; numa das vezes, tendo sido surpreendida pelo caçador Acteon que, ocasionalmente, para ali se dirigiu para saciar a sede, transformou-o em veado e fê-lo vítima da voracidade da própria matilha.

Outra lenda nos conta que, apesar do seu voto de castidade, tendo ela se apaixonado perdidamente pelo jovem Orion, e se dispondo a consorciá-lo, o seu enciumado irmão Apolo impediu o enlace mediante uma grande perfídia: achando-se em uma praia, em sua companhia, desafiou-a a atingir, com a sua flecha, um ponto negro que indicava a tona da água, e que mal se distinguia, devido à grande distância. Ártemis, toda vaidosa, prontamente retesou o arco e atingiu o alvo, que logo desapareceu no abismo no mar, fazendo-se substituir por espumas ensangüentadas. Era Orion que ali nadava, fugindo de um imenso escorpião criado por Apolo para persegui-lo. Ao saber do desastre, Ártemis, cheia de desespero, conseguiu, do pai, que a vítima e o escorpião fossem transformados em constelação. Quando a constelação de Órion se põe, a de Escorpião nasce, sempre o perseguindo, mas sem nunca o alcançar.

É representada, como caçadora que é, vestida de túnica, calçada de coturno, trazendo aljava sobre a espádua, um arco na mão e um cão ao seu lado. Outras vezes vêmo-la acompanhada das suas ninfas, tendo a fronte ornada de um crescente. Representam-na ainda: ora no banho, ora em atitude de repouso, recostada a um veado, acompanhada de dois cães; ora em um carro tirado por corças, trazendo sempre o seu arco e aljava cheia de flechas.

O absinto (Ártemisia absinthium L.) era uma das plantas dedicadas à deusa.

O templo de Ártemis em Éfeso foi uma das sete maravilhas do mundo antigo.

17 de dez. de 2006

Cantique de Nöel - Repertório de Natal



Olá,

Resolvi que, para o meu Natal ficar mais exuberante e à flor da pele, farei um Menu Musical diário, até o Grande Dia.

Meu Repertório selecionado tem muitos clássicos de Natal, como as canções tradicionais (que cantei hoje, somando a voz ao de um grupo de cantores amigos).
Mas tem também obras de grande porte, executadas por corais e orquestras renomadas.

Ouvirei, dentre outros:
  • Oratório de Natal de J. S. Bach
  • Oratório Messias de Haendel
  • Cantique de Nöel de Honneger (uma colagem de clássicos natalinos, harmonizados com virtuosismo pelo compositor)
  • Hodie - This Day de Vaughan-Williams
  • Oratório de Natal de Camille Saint-Säens (executada pelo Coro Guanabara, of course)
  • Hinos Tradicionais (CD de Brindes que ganhei há algum tempo atrás)
  • Hinos de Natal executados pela Orquestra Brasileira de Harpas

Creio que meus dias serão curtos para tanta coisa maravilhosa.

Sem falar que, assim, com certeza, contaminarei a vizinhança com belas músicas e ajudarei a espalhar o Espírito Natalino através de ondas sonoras.

Assim que esta Fada aqui descobrir como se inclui música neste Blog, darei uma amostra grátis de meu Repertório Natalino.

Nöel, Nöel...

+F

15 de dez. de 2006

Lugares Mágicos

Você já se deparou com um lugar retirado dos seus sonhos?

Um lugar em que a luz é perfeita, os pássaros cantam em gorjeios melodiosos e as plantas se entrelaçam e formam mosaicos no chão em manhãs de primavera?

Onde a luz matutina seja diáfana e mansa, onde o sol brilha sem queimar a pele, mas somente amornando a alma?

Um lugar onde você sente a presença de gnomos, e que pode chamar de seu, só seu?

Pois existe esse lugar: na sua infância, bem lá, guardado na memória secreta de suas paixões infantis, certamente existe o SEU LUGAR!

Nas minhas memórias de infância, o meu lugar chama-se MUNDO NOVO, um trecho de Botafogo que dá passagem para Laranjeiras, onde cresci, desbravei as florestas mágicas, colhi goiabas na casa da vizinha, vasculhei cada recanto, e vi o chão rendilhado pela luz da primavera, cheirando as flores do caminho e ouvindo os passarinhos em seu concerto matinal enquanto voltava para casa com o pão fresquinho...

O MEU LUGAR... o lugar que me transformou em uma Fada Moderna.

Visite o Seu Lugar de infância, pois, quem sabe, ali estará a chave para um novo olhar sobre o mundo...?

+F
15/12/2006

13 de dez. de 2006

A mulher necessária

( Crônica)

Eu estava de novo ali. No sofá. Em frente ao meu novo terapeuta.
Falei.

Ele ouviu, com que ouvidos, eu não sei, mas pude ver seus olhos, meio indisciplinados, como os de um espelho retorcendo imagens. Sua voz me falou em terapia que trabalha com energias, falei da menina que insiste em viver dentro de mim, de como ela é travessa, e o quanto dói ter que crescer. Ele se posicionou como todo acompanhante de meninas, observante e expectante. Nunca se sabe o que vem depois a partir da fala de uma mulher que se quer necessária. Sim, o que mais as mulheres procuram é se tornarem importantes nas vidas dos outros... sejam eles, os pais, os filhos, os namorados, os maridos, os professores, os terapeutas e até os cabeleireiros.
Não me permiti externar esse detalhe do meu pensamento durante a sessão, porque avaliei minhas lembranças de tornar-me o vazio na vida de alguém. Devo ter preenchido buracos e provavelmente abri outros tantos nas almas dos que convivi.

Ossos do ofício, pensei. Lembro do livro do Fernando Sabino, cujo título me emocionou "A falta que ela me faz", e que, ao lê-lo, descobri que a falta a que ele se referia era da empregada doméstica, daquela que o servia e o mantinha asseado, alimentado, bem cuidado. A ironia do texto induzia a pensar que era a saudade do grande amor de uma fêmea inesquecível, talvez o delírio vingativo de todas nós, uma fantasia fora de moda, ou um atributo narcísico a ser combatido. Vi então que há em mim, não sei nas outras, uma mulher necessária que me persegue as noites, que me comanda os dias, que me atrapalha sobremodo, quando minha incursão no mundo dito masculino, me incita a pensar e dividir com eles a autoria do que ouso refletir.

Fica sempre aquela sensação de que eles me olham como um ser extra-terrestre, coisa que eu tentarei de novo resolver na análise, em proposta diferenciada. Sou aquela que se porta e aparece tão feminina, mas , disso eu não escapei, o analista foi sábio e colocou assim, de cara, no primeiro encontro, tenho uma racionalidade despudorada, que faz com que eu conte das minhas emoções de modo a parecer que estou fora do enredo, sou personagem avaliado e descrito, como se meu olhar pudesse projetar-se fora do contexto.
Daí, realmente, que eu disse a ele, que isso me incomoda...eu queria mesmo era saber me descabelar de ciúme, o que nunca fiz, saber baixar o sarrafo nas que me roubaram os companheiros, descer o barraco nos momentos de excesso de lucidez, usar os palavrórios de baixo calão nas ocasiões explícitas, curar feridas com porres destrambelhados, sentar no colo de quem me amo sem vergonha de pagar mico, ou, aí seria a glória, provocar uma declaração de sentimento consentido, em pleno espaço aéreo, por um desses aviõezinhos de beira de praia, num domingo ensolarado.
Imaginei os dizeres na faixa esvoaçante: Você, Cidinha, é para mim, a fêmea mais necessária desse mundo... ( caio em mim, isso é loucura?...)

Depois de tudo isso, não me resta outra alternativa a não ser marcar muitas sessões de descarrego, digo, de psicanálise, para reorganizar as idéias e me preparar para a velhice.

by Maria Aparecida Torneros

9 de dez. de 2006

Gastronomia de Fada - # 1

Toda Fada que se preze, gosta de fazer mágicas na cozinha!

Com sua característica intuitiva, a Fada utiliza ingredientes e soluções inusitadas para as coisas acontecerem em meio a panelas, utensílios e alimentos.

Recomendações Básicas para uma Cozinha Criativa:

  • Idéias inovadoras;
  • Ingredientes de qualidade;
  • Equipamentos adequados;
  • Imaginação
  • Coragem e...
  • SORTE! - o fogo tem que estar a seu favor, o telefone não pode tocar, e não pode ter ninguém dando palpite, senão desanda!
Existem receitas mágicas, a exemplo das mostradas no filme 'Como Água para Chocolate', que influenciam o sentir das pessoas, pois um dos seus principais ingredientes é o sentimento da cozinheira.


Cozinheiras Mágicas transmitem sua emoção a cada prato.


Ingredientes essenciais para o sucesso: amor, ervas finas, zelo, timing e emoção.


Bon apetit a tôut!